Pelo menos você tentou

O poeta Marcus Vinícius chegou perto de mim e sussurrou com atenção: “cuidado com as sombras em demasia que rodeiam a tua cabeça”. De imediato, pensei, eu tenho o controle sobre elas e nunca as deixarei me dominar.

O que ele se esqueceu de me ensinar foi sobre as diferenças existentes na sua poesia e aquilo que, de fato, existe na realidade. Essa dualidade tem pesado mais do que os cálculos outrora previram. O que pesa não é uma escolha em si, mas para qual caminho devo forçar o corpo para ir.

Forçar.

Os medos que habitam em mim estão querendo forçar-me a ter atitude. Engraçado, porque os medos geralmente paralisam as nossas escolhas. Os meus, neste caso, estão desesperados por uma ação. Querem o ato, agora, rápido, vai, não pensa, só faz. Estão cansados de observar a minha situação, praticamente me puxando pelo pescoço.

Mas, espera aí. Apesar de ter errado sobre o controle das sombras, será que eu não merecia um pouco de domínio sobre o tempo? Não falo de um marionete que posiciona os dominados em seus devidos lugares, mas uma oportunidade de eu mesma escolher: agora é a hora.

– Não, você não tem esse direito.

– Erro meu ter pensado o contrário, não é?

– É, mas pelo menos você tentou.

Pelo menos eu tentei.

 

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